Leite de Onça - Pai Benedito

Bom dia povo de fé. Hoje trago uma mensagem do Preto Velho Pai Benedito sobre a persistência. 
Boa leitura! Muito Axé e que Oxóssi nos abençoe.


Certa vez no Congá de Pai Benedito, chegou um rapaz de boa aparência para se consultar, estava aflito e ansioso, mal esperava chegar a sua hora de conversar com o preto velho sofre suas angústias.
Chegando finalmente sua oportunidade, sentou no banquinho junto ao preto velho e, o velhinho já sentia que aquela agonia toda era devido a problemas sentimentais. Sem pressa, Pai Benedito cumprimentou o moço:
_Sarve meu fio, vos suncê qué fazê faladô com esse nego veio?

_Sim, meu pai, estou apaixonado por Josefina, a filha do Coronel Leonildo, mas ela não quer nada comigo, já fiz de tudo e ela nem me nota.
_Sim, meu fio, e o que suncê acha que esse nego véio pode fazê?
_Ora, eu quero que o senhor faça um trabalho para que ela aceite se casar comigo.

Pai Benedito, viu logo que o rapaz estava irredutível a ponto de que seria inútil tentar esclarecê-lo, respondeu:

_Tá bom, meu fio, mas pra esse trabaio meu fio vai ter que trazê pra mim um copo de leite de onça.
O rapaz arregalou o olho.
_leite de onça?
_Sim, suncê tem que procurar uma onça, suncê mermo tem que ordenha ela, juntá um copo e trazê pra mim.

O rapaz coçou a cabeça, mas como queria muito a moça, aceitou.

_Tá bom, meu velho, vou atrás desse leite, então.
_Vai, meu fio, vai com Deus.

Passaram três anos e o rapaz apareceu novamente para consultar o preto velho.

_Sarve, meu fio, suncê vortô.
_Sim, meu bom velhinho, e trouxe o que me pediu para o trabalho, o leite da onça.

O velho pegou o leite e constatou que era mesmo leite de onça, sorriu e acenou a cabeça  positivamente. O rapaz, apressado quis saber:
_E então, preto velho, com isso eu vou ter ou não a Josefina?

O velho riu e continuou:
_Fio, se você consegue tirar leite de onça, não vai ser essa moça que vai conseguir escapar do meu fio não é?
_Por que o senhor diz isso?
_É que o nego véio viu na vidença que a moça que meu fio qué é um espírito bem difícil, por isso deu ao meu fio uma tarefa quase impossível. Mas já que suncê é capaz de domá uma onça, é capaz de dá certo cum ela tamém.

_O que eu faço agora, nego véio?
_Ora, fio, vai lutar pelo que meu fio quer, se for tão dedicado quando foi com a onça, vai ter o que merece.
_Salve Deus, obrigado, meu pai.
_Vai cum Deus, meu fio.


Por: John Land Carth
Do Livro: Cultivando a sintonia no Preto Velho

Carnaval e a Casa de Oxóssi Groaíras

Hoje quero compartilhar com vocês o que a espiritualidade em nossa casa nos orienta sobre o
CARNAVAL.

Essa é uma época do ano não diferente das outras, porém é um ciclo que devemos nos policiar, ser conscientes do que buscamos pra nossa vida.

Não é proibido pular carnaval. O que é proibido são os exageros, má conduta, álcool em excesso, drogas e outras situações que não trazem nada de positivo pra nossa vida.

Nós umbandistas acreditamos na benevolência dos Orisá e na proteção de nossos guardiões, os senhores Exus. São eles que guardam nosso caminho e que punem aqueles que exageram.
Vamos ser conscientes e brincar com respeito a si e ao próximo. Não sejam exagerados em nada, sejam cautelosos e tenham cuidados redobrados para não cair em erros.

Espíritos atrasados e densos existem em todos os lugares e em todas as épocas do ano, no Carnaval é mais fácil entrar em contato com eles por conta das energias emanadas das pessoas que exageram no álcool, drogas, sexo e por aí vai.

Como bons médiuns e filhos de Orisá devemos nos policiar e não exagerar...
A sua consciência é o freio a barreira para se proteger das energias ruins.
A Umbanda não proíbe nenhum filho de ir para as festas carnavalescas, eu como pai de uma comunidade religiosa também não proíbo, só espero que os filhos saibam brincar com alegria e respeito.

Evitem bebidas em excesso, pessoas negativas, drogas e lugares onde tenha fluxo de drogas, brigas, entrar e sair de bares com pessoas exagerando no álcool ou outros exageros.

Com respeito ao seu corpo, ao próximo, brinquem o carnaval, mas não deixe essa festa levar você a grandes problemas mais tarde.

Lembrem-se, Exu guarda a todos que merecem, que respeitam Ele, a si e ao próximo!
O carnaval é uma festa, em nossos cultos aos Orisá e aos Guias, fazemos festas, por tanto, não é proibido, desde que haja disciplina e respeito.

CONSCIÊNCIA! Essa é a palavra chave para esse período.

Depois irei falar sobre a Quaresma e os ritos segundo os costumes de nossa casa.

Sem mais,

Prece de Pai José de Aruanda

Quando estava no cativeiro.
"Meu Pai Olorum,
mais uma vez me puseram no tronco. Amanheci acorrentado, amordaçado e nu...
Não me deram comida ou água.
Estou enfraquecido, desanimado e sem entender porque fazem tanta crueldade com nosso povo.
Acredito que pago algum erro de minha vida passada; então, não posso reclamar... Eu percebi que todos que são diferentes, sofrem essa perseguição e o castigo da escravidão.
É como se fossem inferiores ou devedores de alguma dívida impagável a essa gente branca.
Alguns conseguem fugir; mas, outros, têm a mesma sina que eu... E muitos: morrem!
Penso em desistir da vida, muitas vezes, mas isso seria um sacrilégio e eu não quero ofender Irokô.
Então, eu me conformo e procuro silenciar, na tentativa de sofrer menos. Apenas observo e tento aprender a cultura deles, para ver se tenho maior aceitação e menos castigo.
Não quero esquecer quem eu sou, de onde eu vim e todos os costumes de meu povo; por isso, eu procuro relembrar a cada dia um pouco mais. Eu sou diferente de todos.
Eu sou um negro albino. Em minha tribo isso era chamado de criança de Iku ou criança amaldiçoada.
Nasci assim: não sou índio; não sou negro; não sou branco. Então não sei quem eu sou...
mas eu existo e deve haver um propósito nisso tudo. Quantas vezes eu tentei fugir e quantas vezes eu fui para o tronco já perdi as contas!
Mas, ainda não desisti... Dizem os brancos que nós somos persistentes em nossos objetivos.
Eu sou persistente quando quero alguma coisa e insisto até conseguir...
Mas, dessa vez, meu Pai Olorum, acho que chegou meu fim, pois sinto-me enfraquecido e combalido.
Meus irmãos de raça me descriminam pois sou diferente deles.
Os demais daqui me olham estranhamente, como se eu tivesse uma doença contagiosa.
Então, sinto-me solitário, abandonado e alquebrado. Ainda não perdi minha fé, pois é a única coisa que me sustenta e que me segura firme na jornada.
Meus Deuses Africanos são a única coisa que tenho e o que me mantém vivo nessa prisão, de outras terras e de outros costumes.
Anoiteci aqui porque tentei fugir... Já está amanhecendo e alguém está vindo me soltar.
Jogaram em minhas feridas uma espécie de vinagre com salmora, para não infecioná-las...
Sinto muita dor e muita tristeza; ainda não me acostumei com essa vida. Na senzala, uma negra chamada Nhá Benta me tratou e me cuidou.
Ela tem uma filha: Inaê Cambinda.
Quero me casar com ela e por ela eu ficaria aqui... Estou fraco demais e quase desmaiando, mas ainda vejo o olhar de Inaê: doce, meigo e puro.
Não sei se sobreviverei, ou se conseguirei aguentar mais um dia nesse lugar.
Não sei se sou digno de Ti, Senhor Supremo, ou de pedir-te proteção, mas dai-me uma nova vida e condições de refazer essa jornada terrena, pois preciso compreender porque me trouxestes até aqui.
Meu Pai Olorum finalizo lhe pedindo, que: Quando me encontrares cansado, com o corpo curvado e pesado por causa da idade...
Dai-me forças para seguir adiante e em frente, porque mesmo assim, pretendo servir-Te para sempre Meu Pai!"

Festa de Oxóssi 2018

Dia 20 de Janeiro é o dia em que comemoramos a fartura de Pai Oxóssi, nesse dia nós da Casa de Oxóssi Groaíras também estamos completando mais um ano de fundação desta Casa de Axé.

A Casa de Oxóssi Groaíras foi fundada por Pai José de Aruanda em 20 de janeiro de 2009, desde então passamos a nos organizar fisicamente para que chegássemos o que somos hoje, ainda temos muito a aprender, vamos caminhando com a orientação de nossos Guias Espirituais em direção da evolução moral através da fé, trabalho, amor, dedicação e reforma intima. 

Foram muitas lutas, muitos "nãos", porém nunca desistimos de nosso objetivo de elevar o nome de Nossa Amada Umbanda Sagrada e levantar a Bandeira da Paz de Nosso Pai Oxalá.

De 2009 a 2011 passamos por uma fase bem critica, onde tínhamos medo do preconceito da sociedade, temíamos represálias por outras vertentes religiosas, porém nossa fé nos manteve de pé e nosso querido Preto Velho Pai José sempre nos aconselhando e guiando-nos pelos caminhos certos a seguir.
Em 2012 tomamos coragem e enfrentamos o medo, começamos a nos libertar, no sentido de perder o receio, nos mantivemos unidos, isso fez com que outras pessoas aderissem a religião, ganhamos forças, fomos motivados por amigos de outras vertentes religiosas e em 2013 fizemos nossa primeira participação em publico, no Desfile Cívico do 7 de Setembro. Não temos registros postados em Redes sociais, só a partir de 2014 começamos a fazer esses registros. Desde então somos bem acolhidos por maioria da sociedade e estamos sempre buscando alianças, valores que somem para sermos também ferramenta de transformação social.

Hoje Somos a Casa de Oxóssi Groaíras com 8 anos de História e muita batalha, só quem esteve ao nosso lado conhece nossa luta.

E para celebrarmos esse momento, para nós, tão especial iremos Louvar  Pai Oxóssi, Patrono de nossa Casa com uma Gira Festiva chefiado pelo Caboclo Ubirajara, um dos Mentores Guia de nossos trabalhos mediúnicos dia 27 de Janeiro (Sábado) a partir das 18 horas.

Sintam-se convidados!

Pai Edson de Oxóssi e Mãe Meire de Oyá
Dirigentes da Casa de Oxóssi Groaíras


O que é ser Cambono?

O cambono, na verdade, é um médium em desenvolvimento ou que não incorpora.

Também podem ser utilizados os outros médiuns em regime de escala.

O seu trabalho dentro do Templo é tão importante quanto o dos demais médiuns e, mesmo sem estar incorporado, ele é parte integrante de todo o trabalho espiritual, pois os Guias Espirituais se utilizam dele para retirar as energias que serão utilizadas no atendimento aos consulentes.

Muitas vezes, um Guia Espiritual tem dificuldades de adentrar no íntimo do consulente devido à densidade energética presente na pessoa e lança mão da presença do cambono e, através deste, fazendo como que “uma ponte”, consegue auscultar o íntimo da pessoa.

O cambono, antes de qualquer coisa, é pessoa de extrema confiança do Pai ou Mãe da casa, assim como da entidade que estiver atendendo; portanto, caso perceba qualquer coisa estranha, qualquer coisa que não faça parte dos procedimentos normais, deve reportar-se ao Guia-chefe ou ao Pai ou Mãe da casa na mesma hora.

É por isso que é tão importante, e necessário, que o cambono saiba todos os procedimentos de trabalho e todas as normas da conduta que entidades e médiuns devem ter dentro do Templo.

O fato de auxiliar nas consultas exige que o cambono seja discreto e mantenha sigilo sobre tudo o que ouvir, não se esquecendo de que ali estão sendo tratados assuntos particulares e que não dizem respeito a ninguém além da pessoa que estiver sendo atendida e da entidade.
O sigilo é um juramento de confiança que todo o cambono deve ter e fazer.

O QUE É SER UM CAMBONO

Os Cambonos são médiuns de sustentação, e são tão importantes quanto os médiuns ostensivos (de incorporação mediúnica) nos trabalhos de uma Casa Umbandista; eles também devem seguir certos procedimentos e ter a mesma dedicação e responsabilidade.

O Cambono, médium de sustentação, é aquele trabalhador, com mediunidade ostensiva ou não, que está presente ao trabalho, mas que não participa diretamente do fenômeno nem dos procedimentos de incorporação mediúnica para atendimentos.

Como o próprio nome diz, embora não esteja envolvido diretamente no fenômeno ou na assistência, faz a sustentação energética do trabalho, mantendo o padrão vibratório elevado por meio de pensamentos e sentimentos elevados.

Ao contrário do que se pensa, os médiuns cambonos de sustentação são tão importantes quanto os médiuns de incorporação, pois são eles que ajudam a garantir segurança, firmeza e proteção para o grupo e para o trabalho, enquanto os médiuns de atendimento fazem a sua parte e desenvolvem o trabalho assistencial.


REQUISITOS IMPORTANTES PARA SER UM BOM CAMBONO

Responsabilidade
- O cambono precisa conhecer a mediunidade e tudo o que diz respeito ao trabalho com a espiritualidade.

Firmeza mental e emocional
- É responsável manutenção do padrão vibratório durante o trabalho, o cambono deve ter grande firmeza de pensamento e sentimento, a fim de evitar desequilíbrios emocionais e espirituais que poderiam pôr a perder a segurança do trabalho.

Equilíbrio vibratório
- Como trabalha principalmente com energias que movimenta com os seus pensamentos e sentimentos o cambono, deve ter um padrão vibratório médio elevado, a fim de poder se manter equilibrado em qualquer situação e poder ajudar o grupo quando necessário.

Ausência de preconceito
- O cambono, não pode ter qualquer tipo de preconceito, Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tem a oportunidade de observar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma, de acordo com a sabedoria e a justiça de Deus.

Discrição
- O cambono, nunca deve relatar ou comentar, dentro ou fora da casa, as informações que ouve, os problemas dos quais fica sabendo e os casos que vê nos trabalhos de que participa.

CONCLUSÃO

Como vimos, não é tão fácil ser um cambono. Para ser um, é preciso aprender tudo sobre os Orixás, os Guias Espirituais, o Templo e, principalmente, sobre a conduta que deve adotar durante as giras e por toda a sua vida.

Saravá os nossos cambonos de Umbanda

Mensagem do Caboclo Ubirajara

Por mais longa que seja a caminhada… Por mais íngreme que seja o caminho… Por mais pedras e obstáculos que possas encontrar…

Não desistas!
A convicção na certeza de alcançarmos nossos objetivos, nos fará suportarmos todas as intempéries e incertezas que o futuro nos indicar. Pois, somente assim, ao raiar de um novo dia, conseguiremos ver a brilhante luz do sol, e sentir o calor que só ele produz, a aquecer-nos o coração enrijecido pela noite fria da incerteza e da dúvida.

A confiança no Pai Oxalá, fará com que caminhemos resolutos para o futuro, em busca de nossos objetivos, cumprindo nossas tarefas e, a cada irmão de caminhada estendendo a mão, e doando-nos sem olhar a quem, para quem ou por quem.
Somente assim, diante das provas emergentes que nosso passado nos encaminha à restauração, através do abençoado cadinho da purificação moral, e no agasalho material do corpo, poderemos, como a fênix, ressurgir das cinzas do nosso passado tenebroso, reparando todo o mal que fizemos, e plantando, a cada dia seguinte, a cada instante futuro, a semente do amor ao próximo.

Sigamos em frente, amigos, lado a lado, e através da dedicada e valorosa e indispensável ajuda aos nossos irmãos de caminhada, estendamos-lhes as mãos, a fim de que, na ajuda prestada, também possamos nos ajudar ainda mais, resgatando, assim, nossos débitos pretéritos.

Que o abençoado mestre Oxalá, a todos permita, alçando-nos a novas paragens mentais de regeneração, sejamos mais úteis ao próximo que a nós mesmos, e que assim o fazendo, possamos compreender em definitivo, a grandeza da oportunidade que Dele estamos recebendo.  

Muita paz, Caboclo Ubirajara

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